Estava a tia Mª Amélia a presidir à reunião improvisada no Clube do Chá Verde, quando começa a sentir uns tremores, uns suores frios, a língua a enrolar-se e um aperto brutal no peito. Dá uns passos atrás, cambaleando até um maple que estava num canto do salão. As amigas, entre a surpresa e a aprensão, desatam a correr em sua direcção, tirando a tia Maria da Madredeus Collares Bourbón y Tarragona que, com os seus 96 anos, se foi arrastando com o seu andarilho, seguindo, porém, o caminho exacto das outras.
A tia Mª Amélia olhava para as caras que se perfilavam em cima dela e, no meio do burburinho que conseguia ouvir, lá murmurou "João Bernardo"... As amigas, intrigadas, olharam-se e acabaram por se concentrar, de novo, no estado de saúde da sua amiga: -"Oh filha, mas o que é que tu sentes? Dói-te alguma coisa, estás com uma baixa de tensão?"- perguntou a tia Maria Theresa.
-"Ataque cardíaco...te'fone e aspirina...a carteira?"- respodeu a tia Mª Amélia com a voz tremida e muito fraca.
A tia Maria Theresa correu em direcção à carteira da amiga e tirou duas aspirinas que imediatamente dissolveu em água e deu a beber à pobre criatura que definhava no maple do canto. De seguida, ligou para o 112 e apenas disse: -"Ataque cardíaco. A minha amiga tomou duas aspirinas e está sentada aqui, na Rua do Sacramento à Lapa." - Orgulhosa, desligou o telefone, dando graças à sua neta Mafaldinha, que lhe tinha dado um "print" dum mail que tinha recebido, sobre como actuar em caso de ataque cardíaco.
A tia Mª Amélia, apesar de suar abundantemente, tinha serenado, pelo que as amigas começaram a discutir qual o hospital mais apropriado para o internamento: -"Então, filha...aquele para onde vamos sempre aqui na Infante Santo"- propôs a tia Maria Cândida Peixoto de Lemos.
-"Mas esse não é daqueles que se pagam?"- perguntou a tia Maria Eduarda Bettencourt.
-"Oh filha, sei cá! É a CUF...mas os hospitais não se pagam todos?"- retorquiu Mª Cândida.
"Tenho ouvido dizer que o Hospital de Santa Maria é o melhor para emergências"- disse Maria Eduarda.
-"Ai, Credo, filha...que horror! A Maria Amélia numa enfermaria com mais não sei quantos ciganos e pretinhos?"- insurgiu-se, muito indignada, a tia Maria José Fortunato Salgado de Castel Branco.
-"Eu não me responsabilizo por qualquer montante a pagar, como caução, na CUF"- afirmou Mª Cândida.
-"Mas a Maria Amélia quer lá ir para Santa Maria, filha! Que disparate. Vai para a CUF. Até quem é lá oftalmologista é o Joãozinho da Carminho Rodrigues Sampaio e Olazabal Drummond"- tornou à carga Maria José.
-"O melhor é te'fonarmos à Tatão. Ela, como filha, é que sabe onde pôr a mãe"- disse Maria Theresa. Quando a tia Maria Theresa ligava para a Tatão, filha legítima de Maria Amélia e Manecas, que se tinha mudado há pouco para o Banzão, para uma casa lindíssima com vista sobre o mar, chegava ao pé dela Maria da Madredeus Collares Bourbón y Tarragona, com o seu andarilho, perguntando: - "Afinal, o que se passou com a Amelinha?"*
*Köniek Checo
A tia Mª Amélia olhava para as caras que se perfilavam em cima dela e, no meio do burburinho que conseguia ouvir, lá murmurou "João Bernardo"... As amigas, intrigadas, olharam-se e acabaram por se concentrar, de novo, no estado de saúde da sua amiga: -"Oh filha, mas o que é que tu sentes? Dói-te alguma coisa, estás com uma baixa de tensão?"- perguntou a tia Maria Theresa.
-"Ataque cardíaco...te'fone e aspirina...a carteira?"- respodeu a tia Mª Amélia com a voz tremida e muito fraca.
A tia Maria Theresa correu em direcção à carteira da amiga e tirou duas aspirinas que imediatamente dissolveu em água e deu a beber à pobre criatura que definhava no maple do canto. De seguida, ligou para o 112 e apenas disse: -"Ataque cardíaco. A minha amiga tomou duas aspirinas e está sentada aqui, na Rua do Sacramento à Lapa." - Orgulhosa, desligou o telefone, dando graças à sua neta Mafaldinha, que lhe tinha dado um "print" dum mail que tinha recebido, sobre como actuar em caso de ataque cardíaco.
A tia Mª Amélia, apesar de suar abundantemente, tinha serenado, pelo que as amigas começaram a discutir qual o hospital mais apropriado para o internamento: -"Então, filha...aquele para onde vamos sempre aqui na Infante Santo"- propôs a tia Maria Cândida Peixoto de Lemos.
-"Mas esse não é daqueles que se pagam?"- perguntou a tia Maria Eduarda Bettencourt.
-"Oh filha, sei cá! É a CUF...mas os hospitais não se pagam todos?"- retorquiu Mª Cândida.
"Tenho ouvido dizer que o Hospital de Santa Maria é o melhor para emergências"- disse Maria Eduarda.
-"Ai, Credo, filha...que horror! A Maria Amélia numa enfermaria com mais não sei quantos ciganos e pretinhos?"- insurgiu-se, muito indignada, a tia Maria José Fortunato Salgado de Castel Branco.
-"Eu não me responsabilizo por qualquer montante a pagar, como caução, na CUF"- afirmou Mª Cândida.
-"Mas a Maria Amélia quer lá ir para Santa Maria, filha! Que disparate. Vai para a CUF. Até quem é lá oftalmologista é o Joãozinho da Carminho Rodrigues Sampaio e Olazabal Drummond"- tornou à carga Maria José.
-"O melhor é te'fonarmos à Tatão. Ela, como filha, é que sabe onde pôr a mãe"- disse Maria Theresa. Quando a tia Maria Theresa ligava para a Tatão, filha legítima de Maria Amélia e Manecas, que se tinha mudado há pouco para o Banzão, para uma casa lindíssima com vista sobre o mar, chegava ao pé dela Maria da Madredeus Collares Bourbón y Tarragona, com o seu andarilho, perguntando: - "Afinal, o que se passou com a Amelinha?"*
*Köniek Checo
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