Amélinha, moribunda, vê-se prostrada numa cama de ferro, já com pouca tinta, num quarto pequeno e estreito, com uma janela alta e pouco larga, que dava para um saguão, de onde lhe chegava um cheiro a comida misturado com restos da mesma., e com paredes harmoniosamente pintadas de côr … verde água, num Hospital que lhe disseram chamar-se CUF; ou será uma sociedade secreta? - Vagueia a mente de Amélinha (Clínica das Unhas Finíssimas ou será Cridas!!! Usem Fio dental, ou será ………………).
Pois é! Mª Amélia consegue finalmente abrir o seu olho esquerdo, trémulo, enrugado, ainda com remelas, resultantes dos quilos de maquilhagem que não conseguira limpar, e vislumbra em seu redor toda a mancha verde água que ressalta das paredes do seu quarto. Credo!!!! O Verde persegue-me! Lentamente abre o olho direito, também enrugado e remelento, tentando fazer o reconhecimento do local onde se encontra; (nesta idade as Tias fazem um género de maquilhagem muito carregado e normalmente não acertam com as zonas a realçar, como resultado parecem umas bonecas verdadeiramente apalhaçadas. Isto é um aparte!).
Quer movimentar-se, mas repara que uns tubos transparentes e finos, onde circula um líquido esverdeado, a mantêm agarrada a um aparelho que Amélinha identifica como sendo do controlo das suas batidas cardíacas. Estas são fracas, espaçadas, lentas, mas finíssimas, elegantes e “pianíssimas“, como Amélinha sempre foi.
"A Zézinha Fortunato Salgado de Castel Branco e a Dádinha Bettencourt devem estar num sobressalto, coitadas. Naturalmente já avisaram a Tatão!"
Neste vaguear comezinho da sua mente, Amélinha ouve incrédula um gemido de timbre contrastante, gritado em sol sustenido, de vibrante intenso e profundo, que outrora fizera já parte do seu universo. Quem seria?! De onde viria?! O gemido intensificara-se numa dinâmica crescendo.
Amélinha, num forte desejo de identificar o dono de tal gemido, faz disparar os apitos do aparelho que regula o seu frágil e dócil coração.
A enfermeira de serviço corre em seu auxílio, e Amélinha vê aqui a solução para a sua inquietante curiosidade. Perguntaria à enfermeira? Não, não se rebaixaria a tanto. A sua classe não quadrilha com enfermeiras, ainda por cima nem sequer era a enfermeira chefe!
Num repentino vislumbre, lembrou-se: "Vou pedir que chamem o capelão!"
- Sra. Enfermeira, quero falar com o capelão. – Sim este seria a pessoa ideal para informa-la sobre a identidade de quem carregava tão intenso gemido. A enfermeira ao ver tão moribunda senhora, correu a chamar essa ilustre pessoa. Correr foi também o que a trouxe quase no mesmo instante.
- Minha senhora, o capelão despediu-se. Parece que o novo governo pretende criar uma lei que retira todos os capelões dos Hospitais públicos. O nosso, amuado, não esperou pela lei. Saiu hoje de manhã.
Mª Amélia fez cantar novamente os apitos agudos da sua já familiar máquina de batidas cardíacas.
Ao longe volta a ouvir o intrigante gemido, mas agora a ele juntam-se algumas palavra.- AAAAAAAIIIIII……. “ Eeeesssspaculadôôô”, eu sou “espaculadô” ( entenda-se especulador ).*
*Köniek Catarina
Pois é! Mª Amélia consegue finalmente abrir o seu olho esquerdo, trémulo, enrugado, ainda com remelas, resultantes dos quilos de maquilhagem que não conseguira limpar, e vislumbra em seu redor toda a mancha verde água que ressalta das paredes do seu quarto. Credo!!!! O Verde persegue-me! Lentamente abre o olho direito, também enrugado e remelento, tentando fazer o reconhecimento do local onde se encontra; (nesta idade as Tias fazem um género de maquilhagem muito carregado e normalmente não acertam com as zonas a realçar, como resultado parecem umas bonecas verdadeiramente apalhaçadas. Isto é um aparte!).
Quer movimentar-se, mas repara que uns tubos transparentes e finos, onde circula um líquido esverdeado, a mantêm agarrada a um aparelho que Amélinha identifica como sendo do controlo das suas batidas cardíacas. Estas são fracas, espaçadas, lentas, mas finíssimas, elegantes e “pianíssimas“, como Amélinha sempre foi.
"A Zézinha Fortunato Salgado de Castel Branco e a Dádinha Bettencourt devem estar num sobressalto, coitadas. Naturalmente já avisaram a Tatão!"
Neste vaguear comezinho da sua mente, Amélinha ouve incrédula um gemido de timbre contrastante, gritado em sol sustenido, de vibrante intenso e profundo, que outrora fizera já parte do seu universo. Quem seria?! De onde viria?! O gemido intensificara-se numa dinâmica crescendo.
Amélinha, num forte desejo de identificar o dono de tal gemido, faz disparar os apitos do aparelho que regula o seu frágil e dócil coração.
A enfermeira de serviço corre em seu auxílio, e Amélinha vê aqui a solução para a sua inquietante curiosidade. Perguntaria à enfermeira? Não, não se rebaixaria a tanto. A sua classe não quadrilha com enfermeiras, ainda por cima nem sequer era a enfermeira chefe!
Num repentino vislumbre, lembrou-se: "Vou pedir que chamem o capelão!"
- Sra. Enfermeira, quero falar com o capelão. – Sim este seria a pessoa ideal para informa-la sobre a identidade de quem carregava tão intenso gemido. A enfermeira ao ver tão moribunda senhora, correu a chamar essa ilustre pessoa. Correr foi também o que a trouxe quase no mesmo instante.
- Minha senhora, o capelão despediu-se. Parece que o novo governo pretende criar uma lei que retira todos os capelões dos Hospitais públicos. O nosso, amuado, não esperou pela lei. Saiu hoje de manhã.
Mª Amélia fez cantar novamente os apitos agudos da sua já familiar máquina de batidas cardíacas.
Ao longe volta a ouvir o intrigante gemido, mas agora a ele juntam-se algumas palavra.- AAAAAAAIIIIII……. “ Eeeesssspaculadôôô”, eu sou “espaculadô” ( entenda-se especulador ).*
*Köniek Catarina
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