quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Encontros ao luar - Os mistérios do Chá Verde

Havia, sim, contas a ajustar...

Ao chegar à Rua do Sacramento à Lapa, onde se situava a sede do "Chá Verde das Cinco", a Tia Mª Amélia, impelida por uma força maior, abriu a porta do "taxe", antes de este parar, e em passo de corrida dirigiu-se para a entrada da sede do "CVC" onde a esperava o Armindo, velho porteiro da Associação, com a sua farda cinzenta já coçada.

Subiu as escadas de 2 em 2 degraus, devido ao "segredo do chá Verde", e entrou na sala de estar já esbaforida!

"- Onde está ele? Onde está ele?"

Todas as sócias presentes ficaram perplexas ao ver tal aparição. Esperaram que ela se acalmasse e foram-"no" buscar.

Antes ainda "dele" chegar, entrou Deolinda, criada velha da associação, casada com o Armindo porteiro. Empurrava um carrinho onde vinha um ENORME bule de chá com água fumegante. Colocou as chávenas na estranha mesa central (de forma oval, com lugar para 15 pessoas sentadas e uma entrada pelo lado junto à janela) e aí deixou o bule, retirando-se logo de seguida como diziam as regras.

Eis senão quando aparece "ele"! Sim, ele, Zé Verde, vindo directamente do túnel que liga a penitenciaria ao 2º andar do nº 23 da Rua do Sacramento. Vinha amargurado por ter de ceder pela centésima vigésima quinta vez a mais uma chantagem das senhoras associadas do CVC.

Seguindo o ritual, uivou 3 vezes e entrou pela abertura lateral da mesa colocando-se ao centro. Logo de seguida, todas as senhoras fizeram uma vénia e sentaram-se à roda da mesa. Com muita dificuldade, Zé Verde encheu cada uma das chávenas, pousou o bule e, pela centésima vigésima quinta vez, mordendo os lábios, mergulhou o seu dedo indicador esquerdo na água escaldante de cada uma das chávenas, tomando esta uma côr térrea.
Acabado este cerimonial, Zé Verde retirou-se, e como manda a tradição, todas as presentes deram 3 vivas para o ar e engoliram o poderoso conteúdo das suas chávenas de um só trago. Lá começaram os "AHG" , "LHAK", "AIII" , apenas interrompidos pela brusca entrada do taxista na sala, com o pobre do Armindo agarrado às suas calças:

"-OH MINHA XENHORA, ESTOU ALI À ESPERA QUE ME VENHA PAGAR E AINDA NÃO REXEBI UM TOXTÃO!"

Resolvida a situação, com o pobre do Armindo a pedir desculpa às senhoras enquanto repreendia o Hélio taxista pela sua incursão na sala, lá apagaram as luzes acenderam as velas e, na sequência do que estavam a fazer, começaram a conspirar. Tomando a palavra, a tia Mª Amélia disse:

"- Meninas, temos de fazer alguma coisa para impedir que aquela que me desgraçou a vida viva feliz para sempre!"*

*Köniek Osga

2 comentários:

Osga Esparramada disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Osga Esparramada disse...

E porque é que me forçaram a mudar o verdadeiro nome da personagem que dá côr ao chá????
Vou ter de contar a verdade:
E a verdade é que, depois de ter sido atropelado pelo carrinho de chá que a Madredeus empurrava a "alta velocidade", o nosso personagem - Rui Verde - passou a chamar-se Zé Verde!
Para quem não sabe, quem nasce Verde, morre Verde!